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Local: Itatiba, SP, Brazil

A menina que não chorava

23/06/2009

Esta caindo uma chuvinha fina la fora, e dentro da casa faz frio, Bob, o vira lata esta deitado próximo a lareira.

Quando se tem 80 anos o frio trás muitas dores, por isso a velhinha colocou sua poltrona mais perto da lareira e se ajeitou nela.
Deitou sua cabeça no enconsto e começou a ouvir o som da chuva, aquele som trouxe-lhe lembranças, e ela solitária naquela casa começou a falar com o cão.

Sabe Bob um dia, conheci uma menina e pude perceber logo de cara que ela era uma menina diferente.

Ela falava muito, e rápido demais, como se quisesse traduzir a velocidade do seu pensamento em sua fala.
Ás vezes era impossível acompanhar o que ela dizia.
Ela falava alto demais para o seu tamanho, mas era bem articulada.

Mas ás vezes ela se calava.
Dava pra perceber que ela sabia o que queria, assim, de verdade.

Fiquei pensando que talvez ela fingisse que não sabia as vezes.
Ela poderia ser na verdade uma grande manipuladora.
Seria tão fácil fazer o que ela pedia.

Aqueles delicados olhos castanhos, mas tão fortes e misteriosos.
E eu sempre fiquei imaginando o porquê ela não chorava.

Pode ser talvez que ela chorasse, baixinho, escondida pelos cantos.
Ou talvez ela realmente não chorasse.

Quanto mais a conhecia, podia ver que ela tinha vários lados, vários jeitos e muitas caras.
Ela gostava de falar, de mandar, ela gostava das coisas do jeito dela e brigava com quem não gostava.

Não consigo pensar em nada em que ela não se daria bem.
Ela simplesmente chegava em um local com uma facilidade e o dominava.

Conversava com a maior naturalidade e fazia você pensar que sabia tudo sobre ela e que a conheceia ha anos.

Mas eu sabia que não.

Eu sabia que existiam muitas coisas que nem eu nem ninguém sabia sobre ela.
Hoje eu realmente penso que eu não sei absolutamente nada sobre ela.

Somente que ela não chora. Nem ao menos uma vez.

Certa vez, fomos a uma festa e ela ficou sentada com uma cara distante.
Fiquei fitando-a por alguns minutos, tentando saber o que se passava em sua mente, o que ela pensava.

Quase poderia arriscar que ela estava triste, mas quando eu ousei perguntar alguma coisa, ela falou que estava com sono.
E por muitas vezes ela repetiu essa sentença.
Portanto não havia nada que eu pudesse fazer.

Passei a respeitar seu momento de "sono" e calei-me, mesmo quando queria sentar do seu lado e ouvi-la chorar.
Por mais mórbido que pareça, eu queria ouvi-la chorar.

Ela tinha amigos. Amigos que a achavam engraçada.
Também a achavam inteligente e estressadinha, mas ninguém a reprimia por isso.
Acredito que achavam a menina que não chorava interessante.

Vamos falar sobre os arrependimentos da menina que não chorava.
Ela sempre me dizia que ela se arrependeu de muitas coisas que ela deixou de fazer.
Podia ser coisas bobas como não ir a uma festa, não conhecer melhor uma pessoa, entre outros.
E quando eu achava que ela ia mudar, ela se arrependia de novo.

Estou falando da menina que não chorava, pois há tanto nela que me intriga.

Sempre achei incrível a maneira como ela era tão comum e ao mesmo tempo, tão extraordinariamente diferente.

Era o que eu mais gostava nela.

Seu poder de ser várias em uma só.
Ser mulher e ser menina, ser boa e ser ruim, ser brincalhona e séria.

A menina que não chorava gostava de chuva.
Talvez por isso eu tenha lembrado dela nesse momento.
Todas as vezes que chovia ela ficava andando calmamente pela chuva, observando com serenidade enquanto todos os pingos caiam.

Ela sentia o cheiro da chuva e isso fazia com que seus olhos brilhassem.
Quando chovia, ela deixava tudo o que estava incomodando pra lá, respirava fundo e recomeçava.
Eu nunca soube o porque ela fazia isso ou se havia alguma ligação especial com a chuva.
Simplesmente ela se sentia melhor quando chovia.

Muitos diziam que ela era um mistério, uma caixinha de supresas...
Quando alguém a escutava reclamando dos pais, dos amigos ou de alguma situação logo achavam que a tinham na palma da mão.

Porque ela queria que se sentissem assim.

Lembra o que eu falei sobre manipulação?

Mas ela não fazia por mal. Era uma coisa inconsciente.
Todo mundo achava que sabia tudo sobre ela.
Eu na época achava que sabia tudo sobre ela, nem imaginava quantos segredos ela guardava.
Não conheço ninguém que soubesse desses segredos.
Nem mesmo as pessoas envolvidas nesses segredos faziam noção da proporção do impacto que essas coisas causaram na vida dela.

E eu não vou conta-los pra você, Bob, nem a ninguém.
Talvez um dia ela os conte pra alguém. Ou talvez não.

Posso dizer que a menina que não chorava era uma pessoa boa.
Ela tinha um coração muito bondoso e sempre tentava agradar, mesmo quando as pessoas não mereciam a atenção que ela os dava.

Sinto pena dela, mas não poderia contar isso jamais a ela, senão ela argumentaria por horas como não precisa de minha pena.

É claro que eu sei disso, mas não posso deixar de sentir as vezes, contudo, sei o quão forte e não digna de pena ela é.

Eu já falei sobre a sua força?

Nunca vi uma situação que ela não contornasse tão perfeitamente bem.
As pessoas poderiam se sentir seguras com ela, pois ela sempre daria um jeito de melhorar ou resolver as coisas.
Das mais simples as mais complexas.
Mas não é por isso que ela era forte.
Ela era forte porque ela não precisava de ninguém ou pelo menos ela dizia que não precisava e por isso ela era forte.

Força e independencia.
Duas palavras que faziam parte da menina que não chora.
Ela era forte o bastante pra não chorar e independente o bastante para que ninguém soubesse o motivo.

A menina que não chorava, ao contrário do que todos poderiam imaginar, se sentia sozinha.
Por muitas vezes ela olhava para o céu e pensava em como ela não tinha ninguém.
Ou em como ela tinha, mas queria algo maior do que ela tinha.
Não que ela não gostasse dos seus amigos ou da sua família, mas ela queria pessoas maiores que ela.
Pessoas que não ligassem pra futilidades e que fossem pra sempre.

Ela não ligava para principes encantados, pois sabia que eles não existiam, mas mesmo assim, eu acredito que ela queria um também.

Ela queria pessoas que discutissem sobre o dólar, sobre ciência, sobre a África.
E ela queria que essas mesmas pessoas também falassem sobre televisão, livros e festas.
Ela queria pessoas inteiras, que tivessem defeitos e qualidades mas que a fizessem se sentir melhor.

Um apartamento em um local bonito; com as coisas que ela nunca teve; um bom emprego, pessoas especiais e por fim, sua independencia.

Ela gostava de ficar sozinha mas não sozinha pra sempre.

As vezes ela queria um tempo só dela, para que ela pudesse fazer o que ela quisesse, como dançar, gritar, comer, ver tv e sonhar.

Pois a menina era uma exíminia sonhadora
E como tal, adorava novas histórias.
Também gostava de sonhar com a vida dela e com tudo o que ela não tinha.

A menina que não chorava queria se sentir completa.
E pessoas que são destinadas a grandeza não se sentem completas tão facilmente, talvez ela nunca se sentisse completa, mas isso não era ruim, já que ela estaria sempre crescendo e mudando.

Ela não gostava de ciclos mesmo. Ela odiava rotina.
Eu a via tão cansada quando estava fazendo sempre a mesma coisa.

O dia em que ela cansasse de se sentir assim, talvez fizesse uma mala e voasse pra longe, sem ao menos dizer adeus pra ninguém.
Um dia, reapareceria, pronta pra recomeçar, mas não como antes, um começo novo, fresco.
Porque a menina que não chorava nunca permanecia igual.

Ela mudava muito pra continuar igual.

Ela sempre tinha uma cabeça mais a frente que as pessoas.
Ela visualizava mais, queria mais, sentia mais.

Não que ela tivesse cabeça de velha e fosse toda rabugenta.
A menina sabia muito bem como ser criança e se acabar de comer porcarias, ver desenho e brincar no parque.
Mas ela era muito mais que isso.
Muito mais do que qualquer criança ou adulto já foram.

E o amor?
Nunca se soube ao certo se a menina que não chorava já amou alguém.
Há boatos.
É claro que ela já teve vários casos.
Mas não foram tantos assim.
Alguns nem puderam concretizar uma história, mas outros deixaram uma marquinha na menina.
Ela não precisava disso.
De amor digo, ela precisava de alguma coisa que ela ainda não havia descobrido o que era.
E isso posso afirmar com certeza que ela realmente não sabia.

Muitos amaram a menina e ela até gostou de alguns deles e quase amou 1 ou 2, mas alguma coisa aconteceu ou ela viu que queria mais do que eles poderiam oferecer.

Ela se perguntava e me perguntava o que havia de errado com ela.
Mas na verdade, não havia nada.

Ela simplesmente era boa demais pra eles. Ou pelo menos ela se achava assim.

De tão sonhadora, ela preferia os caras dos seus sonhos.
Aqueles que não faziam coisas idiotas e não amavam qualquer uma.
Precisava ser muito especial pra menina sequer vizualiza-lo.

Porque ela não era uma garota comum.

Se você quer saber Bob, a menina que não chorava ficou a ponto de chorar várias vezes.
Seus olhos até se enchiam de lágrimas mas ela não consiguia derruba-las.
Ela simplesmente odiava o salgado em seus labios.
Ela odiava tudo o que era relacionado a chorar.

Apesar da menina ser uma boa pessoa e ser muito especial, por muitas vezes ela achava que ela fazia tudo errado.
Ou pelo menos os o utros a faziam se sentir assim.
Não que ela realmente ligasse para que os outros pensassem, mas ela se sentia assim.
Ela odiava broncas. e odiava mais ainda que gritassem com ela desnecessariamente.
Ela não ligava de tomar uma bronca depois de fazer algo errado, mas tomar uma sem motivos, isso a deixava muito mal.

A menina que não chorava cometia erros.
Erros banais, estúpidos que como um furacão iam ganhando força e a deixavam pra baixo.
Mas ela, ainda assim, não derramava uma lágrima.
Ela descansava, comia, respirava fundo e contornava.

E a menina nunca conseguia ficar quieta.
Ela argumentava, se defendia e isso só tornava a bronca aumentar e ficar quase insuportavel, menos para a menina que não

chorava, pois ela poderia suportar qualquer coisa.
Em raras excessões ela deixava pra lá, ou só ficava encarando a pessoa, sem ao menos respirar fortemente.
Acredito que isso a remoia por dentro. Ela preferia a ação.

O que mais me intrigava, era que a menina se sentia frustrada.
Com apenas a idade que tinha, ela se sentia vazia.
Não que ela fosse triste, pois ela não era, mas ela não se sentia metade do inteiro que ela era.
Não sei bem explicar esse sentimento sem entrar em repetições sobre as coisas que eu já falei, mas era como ela se sentia. Incompleta, vazia, frustrada.
Não sempre.
Mas naqueles dias, enquanto a chuva demorava a chegar e a rotina a apertava, ela simplesmente queria ficar deitada no chão, contando as estrelas e sonhando, sonhando com tudo aquilo que ela desejava pra ser feliz.

Pobre menina

Um dia ela se tornaria uma grande mulher, mas enquanto esse dia não vinha, sua grandeza deveria esperar.
Enquanto esse tempo passava, a menina resolvia curtir sua vida nas pequenas coisas e se divertir.
Ela achava que tudo tinha que ser divertido, mesmo as coisas que não eram.
Nunca vi a menina fazendo alguma coisa que não gostava sem se divertir.
Ela se divertida sozinha, acompanhada, com estranhos, gritando, quieta e ela ria.

Bob, meu querido Bob, sinto pela quantidade de "mais" e "mas" que essa história contém, entretanto, com a menina nunca se podia colocar um ponto final.

Pois quem disse que as coisas acabam tão faceis como começam?
Quem foi que disse que as coisas realmente precisam ter fim?

Eu certamente não.

FIM?

Você gostaria que tivessem mais coisas não é, Bob?
Muitas pessoas também iriam querer.
Mais explicações, mais fatos, mais histórias...

Agora só imagine como é querer mais o tempo todo.
Como é se sentir insignificante e como é frustrante esperar o tempo passar por isso que ela se divertia.

A velhinha levantou-se da poltrona e seguiu para o quarto, ao passar pela comoda pegou um porta retrato com uma foto de sua juventude.
Ela aproximou-se da cama, apagou as luzes, se deitou, abraçou aquele retrato com carinho e pensou: A menina ja não é mais uma menina, no entanto ela ainda não chora.
E adormeceu perdida entre as lembranças, o passado, o presente e o futuro.

Sentiu vontade de chorar mas não conseguiu.

por ♥ Janinha ♥ @ 19:12 - 2 Comentários

21/06/2009


"Ele me encontrou Eu tava por aí
Num estado emocional tão ruim
Me sentindo muito mal
Perdida, sozinha
Errando de bar em bar
Procurando não achar

Ele demonstrou tanto prazer
De estar em minha companhia
Eu experimentei uma sensação
Que até então não conhecia
De se querer bem
De se querer quem se tem..."
Tão Bem - Lulu Santos


Ela não queria, não podia, não se achava capaz.
Não havia espaço pra ele na sua vida, ele não rimava com seus versos, não combinava com suas ilusões, não cabia no seu coração, aquele personagem não podia integrar suas histórias.

Ela era apenas uma menina desiludida, que inventava paixões e dores pra sentir.
E ele um otimista que vivia coisas reais.

E quando tudo que ela queria era dizer não, ela disse sim.

Como ela poderia dizer não diante daqueles pedacinhos dos céus que olhavam pra ela com tanta ternura?
Duas safiras...
Mas foi algo maior do que aquelas luzes brilhantes refletindo sua alma pura.

Um homem com alma de menino, um sorriso puro, palavras suaves, um riso inocente e um coração gigante.

Ela estava acomodada com suas ilusões, com as decepções, apesar de sempre dizer que iria recomeçar e fazer diferente.
Acabava sempre seguindo pelo mesmo caminho, cometendo os mesmo erros, alimentando as mesmas mentiras, mentiras que ela inventava pra ela mesma, se enganar parecia bom.

De repente, com jeitinho, ele chegou, e foi tirando dela cada vez mais sorrisos.

Apareceu do nada, onde ela menos esperava encontar, quando tudo que ela esperava era nada.

Ele ensinou pra ela muitas coisas, e ela ficou fascinada com o amor que ele tinha com os animais e admirada com a coragem dele, por ter abrido mão de possuir um canudo timbrado pelas universidades mais renomadas para se dedicar a sua paixão.

E assim mesmo sem querer, sem entender, ela se deixou envolver pela magnitude daquele olhar, os olhos mais lindos que ela ja tinha visto, refletindo a mais bela alma.

Um novo parágrafo e dentre as muitas virgulas que virão pra essa história, hoje ela ja não quer mais um ponto final.

por ♥ Janinha ♥ @ 17:54 - 0 Comentários

Esta tudo assim, tão diferente...

17/06/2009

"Basta olhar no fundo dos meus olhos
Pra ver que já não sou como era antes
Tudo que eu preciso é de uma chance
De alguns instantes"
Vem andar Comigo - Jota Quest

Estou me sentindo estranha essa semana. Sei lá.
Ta faltando alguma coisa em mim.
Me sinto vazia, ando meio enjoada, minha cabeça dói, sinto necessidade de dormir mais do que de costume e to com muito mais frio.

Queria muito que o semestre da faculdade terminasse, pra eu ter férias e um pouco de tempo livre, eu tinha tantas coisas pra fazer e tantos lugares que eu queria ir.
O semestre terminou e eu fico toda noite em casa, sentada no sofá fazendo nada.

Eu queria tanto aquele remédio milagroso pra emagrecer rapidinho, consegui sem grande esforço.
Mas a caixinha esta la, enfiada em uma gaveta, prefiro os bombons e as coxinhas, os bolos recheados e o pastel da feira.

Eu queria tempo e dinheiro pra malhar naquela academia que funciona de verdade, onde se obtem resultados a curto prazo.
O dinheiro esta guardado em uma outra gaveta e o tempo ta sobrando embaixo do meu edredom.

As músicas que ouço não provocam mais nenhuma sensação, não me levam a lugar nenhum.

Minha mente ta vazia, sem nenhuma lembrança, nenhuma vontade, meio dormente e devagar.

La fora esta tudo cinza, e o fim de semana que se aproxima não trás nenhuma ansiedade.

Não estou triste.

Somente sem inspiração, sem expectativas, sem ilusões...
Minha cabeça saiu das nuvens e voltou pra junto do meu pescoço, meus pés estão no chão novamente e o chão esta frio.

Eu estive no parque de diversões e agora estou no banco de uma pracinha sentindo uma calma que incomoda.
Nenhuma emoção forte, nenhum medo, nenhuma euforia...

Tudo parece normal e o normal me parece tão estranho.

por ♥ Janinha ♥ @ 10:20 - 1 Comentários

Peguei meu tênis fui atras do meu melhor

09/06/2009

"Se você não vem tudo bem vice e versa.
O que é que tem vivo zen , eu não fico sem
um bom motivo que me leve a um bom lugar.
E quando chega a hora não demora ou ela vai passar
Eu não espero sempre faço acontecer
Sem desespero vejo o dia amanhecer
Sei que quem luta nunca vai ficar pra trás
Vem preparado que agora eu quero mais então
E que agora eu quero mais então"
Detonautas -Tênis Roque

Chega uma hora que é preciso parar.
Parar de respirar o mesmo ar, parar de falar as mesmas frases, parar de sentir a mesma dor, parar de beber no mesmo bar, parar de fazer o mesmo caminho, parar de comer no mesmo restaurante.

A minha hora de parar é agora.

Portanto vou fazer minhas malas, colocar nelas um pouco de paciência, alguma malicia, bastante auto estima, uma dose de esquecimento, uma caixinha de discernimento, alguns pacotes de orgulho, toda a minha vontade de amar.

Vou deixar aqui um pouco da minha compreensão, uma parte da minha inocencia e outra da minha ingenuidade, quero deixar todo o meu mal humor, todas as minhas lágrimas, quero deixar também as frustações, e os medos.

Vou levar o meu travesseiro para continuar sonhando, e o meu cobertor para manter aquecido meu corpo, vou levar o blush e o batom, pra não esquecer minha vaidade, vou levar meu salto alto, pra me manter sempre acima, vou levar alguns chocolates pra não esquecer o prazer que pequenas coisas podem nos proporcionar, vou levar um livro pra não esquecer que o conhecimento é a unica coisa que posso adquirir e que nunca ninguém sera capaz de tirar de mim.

Vou deixar aqui minha comodidade e meu pessimismo, vou guardar embaixo da cama as minhas rasteirinhas, não vou mais me sentir menor que as outras pessoas, vou deixar a internet, meu vicio de relações superficiais e abstratas que teimo em acreditar que são intensas e reais, aproveito pra deixar aqui também um pouco da minha teimosia e toda a minha covardia.

Com as malas prontas, sigo pela estrada, ligo o som bem alto, escolho uma música que gosto muito e canto extremamente alto, sem me importar com nada, deixo minha voz aguda e desafinada ecoar pelos vidros do carro maltratando os timpanos alheios.

Olhando sempre pra frente aos poucos saio daquele ambiente familiar e começo a ver outras cores, sentir outros cheiros, ouvir outras músicas, de repente me sinto livre, e uma ansiedade toma conta de mim.

Quase posso sentir o cheiro do mar e mal posso esperar para chegar.

O caminho é longo, mas preencho ele com música, histórias e muito riso. Algumas fotografias e muitas caretas.

Quero olhar as ondas que vem e vão em uma sincronia perfeita, mantendo sempre o mesmo ciclo, quero olhar o mar e pensar em sua extensão, quão grande é.
Pisar na areia, sentir cada grãzinho, individual, cada um não significa nada, mas todos eles juntos formam um cenário maravilhoso.

Vou olhar meu rosto refletido na água e me redescobrir, vou rir de mim mesma, vou me perdoar pelos meus erros, vou me presentear pelas minhas conquitas...

Vou me redescobrir, nas poesias, nas músicas, nas vozes, em alguns olhares.

Por mais que eu possa ter me sentido cansada, vou me renovar e continuarei acreditando nessa alma sonhadora, com os pés no chão e a cabeça erguida.

Quero sentir o vento tocar meu rosto, ver as crianças brincarem, quero sentar na pracinha e conversar com os velhinhos, ouvir as histórias de quando eram jovens, e ver em seus olhos a satisfação de ter um ouvinte.
Quero pensar que também vou envelhecer um dia, e quais serão as histórias que vou contar aos mais jovens?

Quero ver o céu estrelado, sentar perto da fogueira, escutar o som do violão, ver a minha volta pessoas que não conheço e que tão pouco me conhecem, vamos estar juntos ali, na mesma roda, e vamos beber algo pra esquentar, vamos rir juntos, vamos falar sobre a vida, sobre o futebol, sobre politica talvez, todos estaremos ali, no mesmo lugar mas por motivos ou razões distintos.

E assim que o sono me vencer, quero fazer minha cama na varanda, pra ver o sol nascer, quero ser a platéia desse maravilhoso espetáculo e quero aplaudir.
Por alguns dias vou viver somente o presente, vou andar por uma trilha, ouvir alguns passaros, vou subir em algumas pedras e dormir ouvindo o som da cachoeira.

Quero abrir finalmente minhas malas e encaixar cada item dentro de mim, vou me sentir diferente no começo, talvez fique incomodada, mas pouco a pouco vou sentir um alivio assustador, e eu sei que de repente será como se as cortinas do teatro tivessem sido fechadas e abertas quase que instantaneamente, como se as luzes tivessem sido apagadas e tão logo acesas novamente, no palco o mesmo cenário, no cenário a mesma protagonista, para a protagonista, uma nova história.

Quando chegar a hora de voltar, as malas estarão vazias, somente estara la um livro cuja as páginas estarão em branco.

por ♥ Janinha ♥ @ 18:44 - 2 Comentários

Eu quis mudar o mundo .....

04/06/2009

"Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja a nossa vida como está"

Lembro-me bem de quando eu era criança.
Eu acreditava que poderia mudar o mundo quando fosse adulta.

Eu via e ouvia os adultos falando de seus problemas, sofrendo, chorando, algumas tias, vizinhas, conhecidos.

E pensava comigo: mas é tão fácil resolver!
Quando eu crescer vou mudar tudo isso!

Tudo vai ser diferente, porque as coisas não tem quer ser como sempre foram, eu posso mudar o mundo!

No entanto não mudei o mundo, o mundo me mudou.

Eu acreditava que poderia mudar o mundo com a força dos meus pensamentos, que bastava a sensibilidade dos meus olhos, a sinceridade do meu sorriso...

Ah mas o que acontece com a nossa visão quando a gente cresce?
Onde vão parar nossos super poderes?
Cade nossa coragem?
Por que deixamos de acreditar na magia?
Por que me esqueci que não é preciso ter asas pra poder voar?
Porque acho que é preciso ser criança para sonhar, jovem pra arriscar ou adolescente pra se apaixonar?

Sabe por que é muito mais dificil ser adulto do que ser criança?

Porque os olhos dos adultos só vêem o que esta do lado de fora.
As crianças vêem as coisas com uma simplicidade natural, nós adultos é que gostamos de complicar.
Quando eu fazia estágio na área de recursos humanos, haviam uns testes piscológicos, era como um quebra cabeça, algumas peças e era necessário montar algo em pouco tempo.
Comprovado.
Quando aplicado em crianças elas montavam milhões de vezes mais rápido.
Pela simplicidade.
Lembro que tinha um, que era um animal. Um elefante acho.
Os adultos ficavam tentando montar zilhões de coisas, usar a imaginação, pensavam em coisas dificeis, e por isso fracassavam.
As crianças não, pegavam as peças, e em questão de segundos la estava o elefantinho montado.

Os adultos não são capazes de ver o que esta do lado de dentro, "escondido".

Para ver o que esta dentro, descobrir os segredos, é preciso ser uma criança, ou então um poeta!

Pois os poetas nada mais são do que adultos que cresceram e continuaram com os olhos de criança.

O deserto para muitos é um lugar feio, que da medo, pelo calor, a seca, falta d'agua, não é agradavel.

No entanto, quando o pequeno principe viu o deserto, ele achou bonito.

Sim, porque ele estava vendo além, não somente com os olhos.
"O que torna belo o deserto é que ele esconde um poço em algum lugar".

Como assim?
Onde esta o poço? Ninguem esta vendo nenhum poço.

Mas ele viu, e acredita nisso, que em algum lugar do deserto existe sim um poço com aguas limpas e frescas.

Tanto as crianças como os poetas tem um disturbio na visão, uma espécie de perturbação no olhar.

Ambos vêem coisas que não existem, o invisivel aos olhos.

A poesia se faz com o que os olhos não vêem mas com o que o coração pode sentir.
Para um poeta não existe castigo maior do que olhar para uma pedra e ver uma pedra.

Ferreira Gullar disse:

"Como um tempo de alegria
Por trás do terror me acena
E a noite carrega o dia
No seu colo de açucena

- sei que dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
mesmo que o pão seja caro
e a liberdade pequena. "

A vida vale a pena, sim vale!
Vale por tudo aquilo que não se vê!

Existem algumas pessoas que são como o deserto.
Elas trazem dentro delas, escondido em algum lugar um poço.

O senso comum quando olha pra essas pessoas não consegue ver o poço, nem tão pouco imaginar que ele exista.

Mas eu sei que cada deserto tem seu poço escondido, e que toda a agua desse poço esta querendo ser jorrada, ser descoberta e ser bebida.

Na verdade todo deserto sonha saciar a sede de alguém com seu poço.
Benditos sejam aqueles que conseguem olhar e ver, não somente o deserto, mas também o poço!
Aqueles que tem sede, sede de descobrir o melhor que cada um tras dentro de si!

E eu espero de verdade que cada deserto possa pelo menos uma vez, se olhar no espelho com olhos de criança, e ver a si mesmo.

Descobrir a si mesmo, descobrir o poço que esta escondido dentro de sua alma e deixar que a agua desse poço sacie a sede de muitas pessoas, que a agua desse poço limpe o corpo, lave o coração, tirando dele tudo que ha de ruim e não faz bem, que a agua desse poço escorra pelo rosto, tirando dele tudo aquilo que é irreconhecível, tornando dessa maneira possível se encontrar, saber quem é esse deserto refletido na imagem do espelho, e o melhor se sentir satisfeito com a resposta.

por ♥ Janinha ♥ @ 19:01 - 2 Comentários

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"

01/06/2009

Ja tentei procurar motivos, explicações, ja tentei justificar, equacionar...

Mas não adianta, nem com raiz quadrada, baskara, derivada ou integral!

Sem explicação, sem lógica!

Gosto de você e ponto final.
Simples assim, ás vezes acontece e aconteceu, eu ja me convenci de que não precisa de motivos ou explicações.

Assim como também não precisa de recíproca!

Quem dera fosse assim: uma equação matemática!

Mas não é, nínguem se apaixona por uma pessoa simplesmente pelas qualidades que ela tem.
Imagina só, se fosse assim os honestos, trabalhadores, aqueles que não bebem nem fumam seriam os mais concorridos!

No entanto, descobri que quem gosta de fazer contas é tão somente nós administradores, os sentimentos não usam fórmulinhas, para eles não existe razão.
Acontece assim, ao acaso, talvez por empatia, magnetismo ou por uma conjunção estrelar.

Que seja!

Na verdade não importa os meios, mas sim o fim!

Esse sentimento que fez morada dentro de mim, simplesmente me invadiu sem pedir licença e se alojou.

Nínguem gosta de alguém porque esse alguém combina o cinto com os sapatos, ou porque é inteligente, gosta de rock ou poesia, isso são simplesmente referencias!!!

O que desperta o coraçãozinho, faz a barriga gelar, a voz sumir e o corpo tremer é o cheiro, o mistério, a paz que o outro nos da ou mesmo o tormento que provoca.

É a maneira como sorri, como fecha os olhos quando canta uma canção, é o tom de voz, a fragilidade que se revela quando menos se espera.

Não tem nada a ver com essa beleza que você exibe em um rosto perfeito e um corpo maravilhoso.

Tem a ver com o que você trás dentro de si, é aquilo que esta nas entrelinhas do que você diz, o que esta atras dos seus olhos, é o que vem depois do seu sorriso.

Simples assim.

Não se resume a uma ficha limpa, nem precisa de consulta ao SPC.

O que torna isso tudo especial é o que esse sentimento tem de indefinivel.
Tornando-se assim inesquecivel.

"Eis o meu segredo. Ele é muito simples: somente vemos bem com o coração.O essencial é invisível aos olhos."

Te vejo com meu coração.
Não se sinta culpado por não corresponder a tal sentimento eloquente, pois eu também não te culpo.
Pelo contrário, te agradeço por ser assim tão especial e por trazer de volta pra mim, sentimentos e sensações que até então eu havia me esquecido que existiam e nem mais acreditava que pudesse sentir um dia.

E é bom que você tenha conciência disso: PEQUENO PRÍNCIPE VOCÊ É ESPECIAL!

por ♥ Janinha ♥ @ 19:00 - 0 Comentários

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